
NOTA DO FUNDADOR
Há um número que está no centro do meu pensamento há anos. É 61.
Sessenta e um por cento da população trabalhadora do mundo ganha a vida fora da economia formal. Isso não é um erro de arredondamento. Não é uma anomalia regional confinada a mercados em desenvolvimento. São 2,1 bilhões de seres humanos que acordam todas as manhãs para trabalhar com dedicação, produzir valor econômico real, e não receber nada em troca dos sistemas que seus governos construíram para proteger os trabalhadores.
Sem contrato. Sem pensão. Sem rede de proteção social. Sem visibilidade.
Durante décadas, economistas, instituições e formuladores de políticas estudaram esse número. Publicaram relatórios sobre ele. Realizaram conferências sobre ele. Incluíram-no em notas de rodapé de marcos de desenvolvimento que nunca foram projetados para resolvê-lo.
O BASE1 existe porque estudar um problema não é o mesmo que medir a sua solução.
Não medimos a informalidade. Medimos a formalização. Não olhamos para onde um país está hoje. Olhamos para a velocidade com que ele está se movendo, e em qual direção.
Esse instrumento é o Índice de Velocidade de Formalização. E este boletim é onde começamos.
Mathieu K. Gouanou
Fundador, BASE1: The World Informal Economy Summit
https://www.linkedin.com/in/mathieugouanou/
https://base1summit.org
O NÚMERO QUE MUDA TUDO

Mais de 60 por cento da população empregada do mundo trabalha na economia informal.
Esse dado não provém de uma estimativa de um think tank nem de um modelo acadêmico contestado. É a conclusão da Organização Internacional do Trabalho, publicada em sua avaliação global de referência sobre o emprego informal. A OIT analisou dados da força de trabalho em 99 países que representam o espectro completo do desenvolvimento econômico. O resultado: 61 por cento.
Leia novamente com todo o seu peso. Seis em cada dez trabalhadores neste planeta operam sem um contrato formal de trabalho, sem acesso à proteção social, sem recurso legal quando as coisas dão errado, e sem a infraestrutura de dados que permitiria aos formuladores de políticas enxergá-los.
A economia formal, que absorve os 39 por cento restantes dos trabalhadores, gerou toda a arquitetura institucional do capitalismo moderno. Bancos centrais, bolsas de valores, sistemas previdenciários, tribunais trabalhistas, sindicatos, códigos de governança corporativa, e os marcos multilaterais de desenvolvimento que regem trilhões em fluxos anuais de capital. Tudo isso foi projetado para, e continua servindo a, quatro trabalhadores em cada dez.
Os outros seis construíram uma economia paralela. Ela não tem sede. Não tem grupos de pressão em Brasília, em Bruxelas ou em Washington. Não apresenta relatórios trimestrais. Mas alimenta famílias, movimenta bens, presta serviços e sustenta comunidades em todos os continentes deste planeta.
Três dados regionais ancoram a escala do que foi ignorado.
Na África, 85,8 por cento dos trabalhadores estão empregados informalmente. Esse dado não é uma projeção para 2050. É a realidade presente em um continente de 1,4 bilhão de pessoas, a força de trabalho mais jovem e de crescimento mais acelerado do mundo.
Na Ásia e no Pacífico, entre 52 e 56 por cento da força de trabalho opera fora dos sistemas formais. Isso equivale a entre 1,1 e 1,3 bilhão de trabalhadores, uma cifra que supera toda a força de trabalho da América do Norte e da Europa combinadas.
No Brasil, o programa MEI (Microempreendedor Individual), que registrou mais de 15 milhões de microempreendedores desde seu lançamento em 2008, representa um dos experimentos de velocidade de formalização mais significativos do mundo. Ainda assim, mesmo com esse avanço notável, a taxa de emprego informal do Brasil permanece relevante, evidenciando que até os programas de formalização mais ambiciosos operam dentro da realidade global de 61 por cento. O que falta não é a vontade de formalizar. É o instrumento que mede a velocidade do processo.
E dentro desse 61 por cento global, as mulheres enfrentam um fardo estruturalmente mais pesado. Sessenta e três por cento das trabalhadoras são informais, contra 58 por cento dos homens. A diferença de cinco pontos percentuais se acumula ao longo de toda uma vida de vulnerabilidade concentrada no trabalho doméstico, na produção domiciliar e no comércio ambulante.
Este é o problema que o BASE1 foi construído para enfrentar. Não escrevendo mais relatórios. Medindo a velocidade da mudança.
O ARGUMENTO
Por que a Maior Força de Trabalho do Mundo Nunca Teve uma
Plataforma – Até Agora

Cada grande disrupção na história econômica segue o mesmo padrão. Um grande grupo de pessoas com necessidades reais e capacidade produtiva real é sistematicamente excluído da arquitetura institucional dominante. Então alguém constrói a arquitetura que estava faltando. E o mundo percebe, tarde demais, que a exclusão nunca foi inevitável. Foi uma escolha de design.
A economia informal é essa disrupção. Ela tem esperado pela sua plataforma.
Considere o que seis décadas de economia do desenvolvimento produziram sobre este tema. Hernando de Soto documentou a exclusão legal dos produtores informais no Peru em 1989 e argumentou que o capital morto aprisionado fora dos sistemas formais de propriedade representava o principal obstáculo ao crescimento das economias em desenvolvimento. Seu trabalho foi celebrado, citado e, em grande medida, não implementado em escala. A OIT publica avaliações estatísticas abrangentes do emprego informal desde a década de 1970, construindo um dos conjuntos de dados globais mais rigorosos das ciências sociais. O Grupo de Empregos do Banco Mundial produziu dezenas de análises em nível de país relacionando a informalidade a lacunas de produtividade e volatilidade de renda.
A base de pesquisa não é o problema. A arquitetura de mensuração é.
Toda instituição que estudou a economia informal mediu seu estoque. Quantos trabalhadores. Qual percentual. Quais setores. Quais regiões. Essas são medições de referência importantes. Mas são estáticas. Dizem onde um país está. Não dizem com que velocidade ele está se movendo, em qual direção, e o que está impulsionando a aceleração ou a estagnação.
Esta é a distinção que o BASE1 foi fundado para estabelecer. E é a distinção que dá origem ao Índice de Velocidade de Formalização.
O IVF não mede a informalidade. Mede a formalização. Especificamente, mede a velocidade com que trabalhadores e empresas ativas na economia informal avançam em direção ao status formal, e as condições institucionais, financeiras, regulatórias e digitais que determinam se essa velocidade está se acelerando ou desacelerando.
Esta é uma postura analítica fundamentalmente diferente. Ela desloca a pergunta de
"quão grave é o problema?" para "quão rápido está se movendo a solução?" Desloca o marco de política do diagnóstico para a navegação. E desloca o sinal de investimento da aversão ao risco para a identificação de velocidade.
A implicação estratégica é significativa. Países e regiões com alta velocidade de formalização representam a vanguarda da maior transição econômica estrutural do século XXI. Trabalhadores que ingressam em sistemas formais pela primeira vez geram novas receitas fiscais, novo consumo, novo acesso ao crédito e nova participação em sistemas de proteção social.
O Brasil ocupa uma posição singular nesta transição. Como país que pioneirou a formalização em larga escala por meio do MEI, o Brasil está excepcionalmente posicionado para contribuir com a metodologia do IVF e para a arquitetura global de convocação do BASE1. A experiência brasileira não é apenas um caso de estudo. É um modelo exportável. E o IVF é o instrumento que permite que essa experiência seja medida, comparada e replicada em outras economias de alta informalidade ao redor do mundo.
Este é o oceano azul que o BASE1 ocupa. Não é um nicho. Não é uma subdisciplina da economia do desenvolvimento. É a questão central da organização econômica global para os próximos trinta anos. E até hoje, nenhuma instituição a detém.
Isso muda com o lançamento do BASE1: The World Informal Economy Summit e do Índice de Velocidade de Formalização.
E começa com um boletim. Porque antes que as instituições mudem, os argumentos mudam. Antes que o capital se mova, as ideias se movem. Antes que a política mude, o enquadramento muda.
O Prólogo que você está lendo é o primeiro enquadramento. A Temporada 1 começa em 1º de abril de 2026.
OS NÚMEROS QUE O BASE1 ACOMPANHA
Estas são as cifras de referência contra as quais o Índice de Velocidade de Formalização medirá o progresso. Cada número abaixo é extraído de publicações da OIT e verificado pelo Sr. John Steed, Diretor de Dados, BASE1.

Todos os dados estão verificados. Nenhuma cifra neste boletim é estimada, extrapolada ou modelada pelo BASE1 além do contexto original da fonte da OIT.
PERSPECTIVA DO FUNDADOR

Estamos no limiar da maior transformação econômica da história humana.
Durante décadas, contamos os trabalhadores como se fossem pontos de dados estáticos. Os governos publicaram pesquisas da força de trabalho. As organizações internacionais compilaram agregados regionais. Os economistas do desenvolvimento construíram modelos a partir desses agregados e apresentaram suas conclusões em conferências frequentadas por outros economistas. O ciclo se repetiu. Os 61 por cento permaneceram.
Olhávamos para trás. Cada instrumento que construímos foi projetado para medir onde a economia informal estava. Nenhum deles foi projetado para medir para onde estava indo, ou com que velocidade.
No BASE1, operamos a partir de uma premissa diferente. Não medimos a informalidade. Medimos a formalização. A distinção não é semântica. É a diferença entre uma fotografia e um sensor de velocidade. Uma fotografia diz onde está um corredor no momento em que o obturador se abre. Um sensor de velocidade diz com que rapidez ele está se movendo, em qual direção, e se está acelerando ou desacelerando. A política construída sobre fotografias produz respostas estáticas a problemas dinâmicos. A política construída sobre velocidade produz intervenções que se multiplicam.
O Índice de Velocidade de Formalização é esse sensor de velocidade. Ele não diz o quão informal um país é hoje. Diz com que rapidez a formalização está acontecendo, e onde está se acelerando. Essa é a pergunta que nunca foi respondida sistematicamente em escala global.
O Brasil tem uma relação especial com essa pergunta. Como país que construiu o maior programa de formalização individual do mundo, o Brasil não apenas conhece a informalidade como realidade estrutural. Conhece também a velocidade. O MEI é evidência de que, quando o design institucional está certo, a formalização pode acontecer em escala e com rapidez. O IVF é o instrumento que transforma essa evidência em um sinal comparável, navegável e exportável para o resto do mundo.
O Brasil está singularmente posicionado para contribuir com a metodologia do IVF. E o BASE1 está construído para garantir que essa contribuição molde a arquitetura global de mensuração da formalização.
Não olhamos para onde um país está hoje. Olhamos para o seu momentum.
O IVF não é uma melhoria dos marcos de mensuração existentes. É uma mudança de paradigma. E a pergunta que estamos fazendo, com que rapidez a formalização está acontecendo e onde está se acelerando, é a pergunta que definirá o próximo capítulo da política econômica global.
A Temporada 1 começa em 1º de abril de 2026. Os Bilhões Invisíveis não serão mais invisíveis.
Mathieu K. Gouanou
Fundador, BASE1: The World Informal Economy Summit
https://www.linkedin.com/in/mathieugouanou/
O QUE VEM A SEGUIR
Temporada 1: Os Bilhões Invisíveis

A Temporada 1 do Boletim de Inteligência BASE1 é lançada em 1º de abril de 2026. Dois episódios. Publicados com duas semanas de intervalo. Construídos em torno de um argumento central: 2,1 bilhões de trabalhadores são a circunscrição econômica mais sub-contada, menos atendida e mais subestimada do planeta.
O Episódio 1 destacará a dimensão da Ásia e do Pacífico da economia informal. O Episódio 2 se voltará para a África, onde a taxa de emprego informal de 85,8 por cento representa não uma crise a ser gerenciada, mas uma oportunidade de velocidade a ser medida.
O Índice de Velocidade de Formalização será introduzido como a lente analítica central da Temporada 1.
Fique atento ao lançamento do white paper sobre o Índice de Velocidade de Formalização, em 1º de maio de 2026, Dia Internacional do Trabalho.
RECURSOS E FONTES VERIFICADAS
Todos os dados citados nesta edição foram verificados pelo Sr. John Steed, Diretor de Dados, BASE1.
Livro Branco do IVF do BASE1. Índice de Velocidade de Formalização: Um Novo Paradigma para Medir a Transição Econômica. Mathieu K. Gouanou, 2026. Disponível em base1summit.org.


